O presente trabalho analisa os impactos da pandemia de COVID-19 no trabalho doméstico remunerado no Brasil, sob a perspectiva interseccional de gênero, raça e classe — por meio de uma revisão bibliográfica crítica. Foram examinados 19 artigos científicos publicados entre 2020 e 2022 em periódicos com Qualis A1 e A2 das áreas de Sociologia, Antropologia e Saúde Coletiva. Os resultados evidenciam que a crise sanitária aprofundou a precarização histórica dessa categoria, marcada pela informalidade e desproteção social. A análise revelou ainda a persistência de políticas públicas insuficientes, aliada à herança colonial e ao racismo estrutural, que naturalizam a exploração dessas trabalhadoras. Em contrapartida, encontraram-se formas de resistência organizada das trabalhadoras, por meio da atuação de movimentos sociais e sindicatos. Conclui-se que a pandemia não apenas escancarou desigualdades preexistentes, mas reforçou a urgência de reconhecer o cuidado como eixo central para a justiça social.
Vinculado a: Ciências Sociais – UFRN.

